O tiroteio escolar de São Caetano do Sul foi um ataque ocorrido na tarde de 22 de setembro de 2011, na Escola Municipal Alcina Dantas Feijão, em São Caetano do Sul, São Paulo. O estudante Davi Mota Nogueira, de 10 anos, atingiu a sua professora na sala de aula e cometeu suicídio em seguida na escadaria da escola.

Fundo A Escola Municipal Alcina Dantas Feijão é uma escola localizada na cidade de São Caetano do Sul, São Paulo. A escola foi considerada a melhor pelo Índice de Desenvolvimento da Educação Básica, tendo uma nota de 6,7 em 2009 em educação. O ataque ocorreu seis meses após um tiroteio escolar notório em Realengo, em que Wellington Menezes de Oliveira atingiu 12 estudantes até a morte e feriu outros 22, cometendo suicídio após ser baleado por um agente. O caso é o tiroteio escolar intencional perpetrado por um atirador mais jovem no Brasil.

Ataque Antes do ataque ocorrer, o estudante Davi Mota Nogueira, de 10 anos, roubou o revólver calibre .38 de seu pai, em casa, e levou para a escola, onde estuda. O pai de Mota, Milton Evangelista Nogueira, relatou que, ao perceber que a arma de fogo foi roubada, se dirigiu à escola, onde chegou por volta das 13h20. Ele chamou a coordenadora da escola para chamar seus dois filhos. Quando Mota e seu irmão, Elenilson, de 14 anos, chegaram, Evangelista perguntou se algum deles pegou sua arma de fogo, mas ambos negaram, e Mota chegou a abrir a mão para falar que não pegou. Por volta das 15h50, Mota pediu à professora da sala para ir ao banheiro, sendo permitido e indo ao banheiro. Quando voltou à sala, atirou contra a professora. A professora Rosileide Queiros de Oliveira, de 38 anos, estava dando aula dentro da sala do 4.o ano, quando foi atingida na frente de cerca de 25 estudantes dentro da sala de aula. Em meio aos disparos, alguns estudantes da escola temiam que se tratasse de um massacre, como o massacre de Realengo, ocorrido meses antes. Estudantes correram para fora da escola e os pais chegaram ao local para pegarem os alunos. Após atingir a professora, Mota saiu da sala e se dirigiu à escadaria da escola, próxima à sala, onde atingiu a vítima. Mota disparou um tiro em seguida contra a própria cabeça.

Perpetrador O atirador foi identificado como Davi Mota Nogueira, uma criança e aluno da instituição de 10 anos, nascido no dia 7 de setembro de 2001. Mota cursava a quarta série do ensino fundamental da Escola Municipal Alcina Dantas Feijão. Mota não tinha problemas disciplinares na escola e tinha notas entre 8 e 9, além de ser elogiado por professores da escola. Duas crianças sabiam da intenção de Mota de atingir a professora e, de acordo com uma das crianças, Mota queria assustar a professora. Um colega de Mota relatou que ele queria matar a professora, mas achou que era brincadeira. A arma de fogo usada por Mota foi pega do seu pai, Milton Evangelista Nogueira, que é guarda municipal. Mota conseguiu acesso à arma em cima do armário, onde ficava debaixo das roupas. O estudante havia feito um desenho de si mesmo com duas armas ao lado de um professor. O que fez os psicólogos investigarem o desenho. Duas semanas antes do tiroteio ocorrer, Mota perguntou ao irmão mais velho: "Se eu morrer, você vai ficar triste?". O irmão afirmou que sim e não sabia se ele estava tramando cometer suicídio depois.

Vítimas O atirador, Davi Mota Nogueira, de 10 anos, sofreu um tiro na cabeça, usando a própria arma, e foi levado ao Hospital de Emergência Albert Sabin, onde teve duas paradas cardiorrespiratórias e morreu uma hora depois, às 16h50. No momento do ocorrido, foi reportado que Mota disparou dois tiros contra a cabeça, mas a Polícia Militar afirmou que foi apenas um. A professora Rosileide Queiros de Oliveira, de 38 anos, foi atingida pelas costas por Mota e levada ao mesmo hospital às pressas, mas depois foi transferida ao Hospital das Clínicas (HC) de helicóptero. A professora não foi informada sobre a morte de Mota. Seu estado de saúde não foi considerado grave e ela se recupera sem ter sequelas. O disparo que atingiu Queiros acertou o lombar da docente e, ao cair no chão, ela fraturou o joelho. Ela foi tratada para remover a bala. No dia 28, ela passou por uma cirurgia para tratar a fratura no joelho esquerdo. Por volta das 14h45, Queiros recebeu alta do hospital no dia 29, uma semana após ser atingida. Ela não deu entrevistas aos jornalistas que a aguardavam na porta do hospital, já que ela não saiu do hospital pelo Instituto de Odontologia.

Consequências Após os disparos, estudantes e adultos soltaram balões e fizeram homenagens à professora e ao estudante em frente à escola. As aulas da instituição foram suspensas e retornaram no dia 27. No dia seguinte aos disparos ocorridos na escola, Mota foi enterrado no Cemitério das Lágrimas. Cerca de 200 pessoas compareceram ao enterro, incluindo guardas civis. O pai de Mota pode ser responsabilizado por negligência por não ter conseguido impedir que Mota tivesse acesso ao revólver. A delegada Lucy Fernandes afirmou em entrevista que ele não foi negligente. Mais tarde, a sala onde Queiros foi baleada será transformada em uma sala de reflexão. A sala teria livros, gravuras e desenhos. No dia 26, Queiros foi informada por familiares sobre a morte de Mota. A professora demonstrou choque e chorou, perguntando o motivo pelo qual Mota cometeu suicídio.

Ver também Massacre de Realengo - Tiroteio escolar notório ocorrido meses antes Tiroteio de 1995 na Universidade de São Paulo - Outro caso em que um estudante se matou após cometer um tiroteio escolar, em 1995 Massacre de Heliópolis - Outro caso em que um estudante se matou após cometer um tiroteio escolar, em 2024 Lista de ataques e invasões escolares no Brasil

Referências