Jéssica Balbino (Poços de Caldas, 17 de junho de 1985) é uma jornalista, escritora, pesquisadora e ativista cultural brasileira, reconhecida por seu trabalho na valorização e promoção da literatura periférica e da produção literária feminina nas periferias brasileiras.
Biografia Balbino formou-se em Jornalismo pelo Centro Universitário das Faculdades Associadas de Ensino (Unifae/SP) e é mestre em Divulgação Científica e Cultural pelo Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo da Universidade Estadual de Campinas, onde defendeu a dissertação Pelas margens: vozes femininas na literatura periférica (2016). Nessa pesquisa, investigou as escritoras periféricas brasileiras, suas produções literárias, contextos socioculturais e desafios para reconhecimento no âmbito literário nacional.
Trajetória e obras É autora dos livros Hip-Hop – A Cultura Marginal (2006), Traficando Conhecimento (2010) e Gasolina & Fósforo: meu corpo em chamas. Sua obra combina vivências periféricas e ativismo político com a literatura, abordando temas como feminismo, corpos dissidentes, resistência e pluralidade identitária. Além de escritora, é jornalista, colunista nos veículos Estado de Minas e Puta Peita, curadora cultural e professora. Atua ainda como podcaster, apresentadora do podcast literário #Rabiscos, e roteirista de vídeo e projetos audiovisuais.
Projeto Margens Em 2017, criou o projeto Margens, iniciativa destinada a mapear e divulgar a produção literária de mulheres da periferia do Brasil. O projeto busca combater a invisibilidade estrutural dessas escritoras, promover debates, oficinas literárias e eventos culturais que ampliem a circulação e o reconhecimento das narrativas periféricas femininas.
Reconhecimento e impacto Seu trabalho tem sido reconhecido por instituições culturais e premiado pelo Ministério da Cultura e pelo Governo do Estado de Minas Gerais. Foi jurada do Prêmio Jabuti e do Prêmio Arte como Respiro do Itaú Cultural. Além disso, suas obras e a metodologia de pesquisa foram incluídas em cursos acadêmicos, como o de Literatura Latino-Americana da Universidade de Berlim, na disciplina de literatura marginal e periférica. Jéssica Balbino é uma voz influente na articulação entre literatura, ativismo e cultura periférica, contribuindo para legitimar a literatura produzida nas margens como parte fundamental da literatura brasileira contemporânea.
Lançamento de "Porca Gorda" e debate sobre gordofobia Em agosto de 2025, Jéssica Balbino lançou o romance Porca Gorda durante a 23a Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), evento que foi reconhecido pela programação dedicada a temas como violência contra as mulheres. A obra, apresentada na Casa Queer, destaca-se por abordar a gordofobia como uma forma específica e institucionalizada de violência, pouco discutida no âmbito literário e social. O romance tem caráter autoficcional e explora a experiência de viver em um corpo gordo, trazendo à tona as marginalizações, desumanizações e silenciamentos enfrentados por pessoas gordas, tanto na vida cotidiana quanto na literatura, onde personagens gordos frequentemente são retratados de forma estereotipada e unidimensional. Inspirada por autoras como Annie Ernaux e Roxane Gay, Balbino constrói uma narrativa que combina memórias, afetos negados, traumas e crítica social, em que a protagonista reivindica sua existência plena e desafia os padrões normativos de beleza e aceitação corporal. Porca Gorda também oferece um olhar crítico sobre a hipocrisia presente em discursos superficiais de autoestima, rejeitando estereótipos do movimento body positive e afirmando a luta contra a pressão estética e as demandas sociais por emagrecimento. A autora expressa a necessidade de ser reconhecida "como fúria" e resistir à silenciação e patologização do corpo gordo. Esse lançamento reforça a posição de Jéssica Balbino como uma voz relevante na literatura contemporânea brasileira e no ativismo contra a gordofobia, ampliando o debate público sobre corpos dissidentes e promovendo maior representatividade na cultura literária e nos espaços de resistência social.
Oficinas e ensino
Além da produção escrita, ministra oficinas literárias e cursos que refletem sobre corpo, escrita e subjetividade, como o curso "Meu Corpo, Minha Biografia". Em seus trabalhos pedagógicos, aborda a escrita como forma de resistência, explorando a relação entre experiências corporais, memórias e produção literária, sobretudo no contexto de corpos dissidentes, gordos e periféricos.
Ver também Malu Jimenez Feminismo negro Gordofobia
Ligações externas Jéssica Balbino no Instagram
Referências