George March (1788 — 1845) foi um comerciante e fazendeiro luso-britânico, colonizador do município de Teresópolis, na Região Serrana do estado do Rio de Janeiro. Sua trajetória é o marco inicial da ocupação europeizada e exclusão (apagamento) de Índios e Negros da Serra dos Órgãos no século XIX, onde estudos contemporâneos analisam sua figura sob a ótica do "mito fundacional" e do apagamento dessas populações pré-existentes desde o século XVI.
A Fazenda-Modelo e o Veraneio March implementou uma "fazenda-modelo" baseada na produção de hortigranjeiros, cereais e na criação de cavalos (coudelaria). Aproveitando o clima ameno, tornou-se o pioneiro do veraneio na serra, construindo casas ao redor de sua sede para alugar a outros súditos britânicos e membros da corte. Apesar da pressão inglesa contra o tráfico negreiro, March utilizou extensivamente a mão de obra de pessoas escravizadas em seus empreendimentos.
A Fundação de Teresópolis por Negros e Índios
O começo do povoamento em Teresópolis, ocorreu em meados do século XVI por Indígenas Puris, muito antes da chegada dos portugueses e de George March. O progresso começou, quando um fluxo de escravos que fugiam das plantações de cana da Baixada Fluminense levou à formação do Quilombo da Serra, sendo primeiro povoado negro da região somando-se a aproximadamente mais de 30 mil pindoramas, hoje povos originários ou indígenas. CIDADE PARA INGLÊS VER: HISTÓRIA E IDENTIDADE EM TERESÓPOLIS Em erro grave da história real, a Prefeitura de Teresópolis e órgãos de imprensa local como a televisão O Diário de Teresópolis, utilizam a história local sem a busca por documentos oficiais, o que leva a construir uma identidade que valoriza apenas a presença inglesa, que culminou na escravidão e etnocídio de milhares de indígenas na região do Paquequer, hoje Teresópolis. A imprensa local, as escolas, por vezes desconhecem e ignoram outras contribuições étnicas. Dados documentais destacam a presença de negros e pindoramas (povos originários/indígenas) séculos antes da chegada do homem branco a Teresópolis. A manutenção de uma narrativa europeia, elimina a preservação histórica do passado através da comunicação oficial e gera implicações na formação e construção da identidade da cidade de Teresópolis. O recorte do passado de Teresópolis, RJ utilizado pela prefeitura da cidade em sua comunicação oficial e ignora dados relevantes e históricos da cidade colonizada. O conflito, inerente a qualquer configuração social, também se expressa na história de Teresópolis.
Revisão Historiográfica e Crítica Estudos recentes produzidos por pesquisadores da UERJ e da UFF (Rede Proprietas) analisam criticamente a narrativa centrada exclusivamente em George March.
O Mito do Território Vazio A historiografia tradicional (representada por Gilberto Ferrez e Osíris Rahal) é acusada de promover um "apagamento" das presenças indígena e negra. Pesquisas apontam que a região não era um "território vazio":
Resistência: A existência do Quilombo da Serra e de trilhas abertas por tropeiros escravizados antes da chegada de March demonstra uma ocupação prévia. Patrimônio Fantasma: A sede da Fazenda March é classificada pela historiadora Marcia Motta como um "patrimônio fantasma", onde a história colonial europeia silenciou trajetórias de resistência local.
A hitória fática da fundação da cidade de Teresópolis Em um artigo produzido pela UERJ, denominado de "Apagamento e história - George March e o mito da fundação de Teresópolis", analisa criticamente as narrativas hegemônicas sobre a fundação de Teresópolis (RJ). Centradas na figura do colonizador inglês George March, o artigo revela o apagamento sistemático das presenças indígena e negra no processo de ocupação da Serra dos Órgãos.
Documentos Históricos narram a presença de Índios e Negros em Teresópolis O pesquisador Walter Benjamin recorre aos monumentos históricos, afim de descobrir por meio de registros como ocorreu a colonização da cidade. "Uma barbárie"- O estudo examina obras canônicas como Colonização de Teresópolis (Ferrez, 1970) e Imagens de Teresópolis (Rahal, 1984), demonstrando como a construção do mito fundacional europeizado silenciou trajetórias de resistências e como foi o Quilombo da Serra e as trilhas abertas por tropeiros escravizados. Metodologicamente, a análise documental e crítica historiográfica revela contradições entre o discurso do "território vazio" (presente em Alencar e memorialistas locais) e as evidências de ocupação pré-colonial. Logo, essa invisibilização sustenta políticas contemporâneas, como o projeto turístico "Serra Verde Imperial", que naturaliza a memória colonial.
Mapeando o patrimônio histórico esquecido A Fazenda George March sede ficava onde éestá localizado o bairro Alto. No ano de 1818, o inglês George March arrendou a fazenda de Sant’Anna do Paquequer e as quatro sesmarias em seu entorno, e rebatizou com seu nome a localidade, que ficava na Região Serrana fluminense, onde hoje estão as cidades de Teresópolis e Guapimirim. Com mão de obra escrava, ali se produziam legumes e cereais, e também funcionava uma coudelaria – espécie de haras. Onde era a sede da fazenda, hoje está o bairro do Alto, de Teresópolis conta os registros.
Patrimônio Fantasma e a corrida para a preservação histórica O lugar é também um exemplo do que a historiadora da Universidade Federal Fluminense (UFF) Marcia Motta denomina como patrimônio fantasma: locais que, apesar do enorme valor histórico, não foram tombados pelo patrimônio público e correm o risco de ter sua história esquecida. Para evitar que isso aconteça, a historiadora vem coordenando, ao lado de Marina Machado, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), a criação de um mapa histórico de patrimônios fantasmas de cidades fluminenses.
George March além da cidade de Teresópolis Cidade de Niterói: Além da Fazenda George March, outro local já identificado pelo projeto e fica no bairro do Fonseca, em Niterói, Região Metropolitana do Rio. Na esquina da Alameda São Boaventura com a Rua São Januário, onde hoje funciona um grande supermercado, ainda é possível ver a estrutura em que anteriormente funcionou o Cinema São Jorge. “Inaugurado em 1954, com 200 lugares, era considerado o Maracanã dos cinemas, devido às enormes dimensões do imóvel. Foi bastante popular, programando sessões duplas e atendendo principalmente aos moradores do bairro” detalha a pesquisadora. Cidade de Itaboraí: Ainda na Região Metropolitana, Itaboraí, onde estão os distritos de São José e Cabuçu, os pesquisadores identificaram e estão analisando o Aldeamento de São Barnabé, que reunia índios temiminós, moromomins e goitacazes. “Em 1583, essas terras foram confirmadas pela Corte Portuguesa para fins de aldeamento, embora, anos mais tarde, os jesuítas tenham transferido esses índios para a região de Cachoeiras de Macacu. Foi o único aldeamento do Rio de Janeiro a obter o status de freguesia (1759) e vila (1772), embora isso não tenha impedido seu declínio na segunda metade do século XIX”.
A história e os muitos dilemas Localizado no município de Paraty, no Sul Fluminense. “Apesar da fama do lugar e de sua arquitetura colonial, em grande parte tombada pelo patrimônio histórico, verificou-se ali, que a força que o turismo tem provocado um excesso de mercantilização em sua economia e impedido que investimentos em outros setores da economia sejam realizados.
A Única preservação Urbana histórica do Brasil - São Gonçalo Cidade de São Gonçalo: Cidade vizinha a Niterói, onde fica a Fazenda Colubandê, único exemplar da arquitetura colonial rural preservada em área urbana no Brasil. Parte da sesmaria doada a Gonçalo Gonçalves, seu engenho foi vendido ao cristão novo Ramirez Duarte de Oliveira, que mudou de nome a fim de fugir da Inquisição.
Ver também História de Teresópolis Serra dos Órgãos
Referências