Dark Horse (título alternativo O Azarão) é um filme brasilo-norte-americano de drama biográfico de 2026 dirigido por Cyrus Nowrasteh, com roteiro assinado por ele e seu filho, Mark Nowrasteh. O longa-metragem retrata a trajetória política de Jair Bolsonaro durante a campanha presidencial de 2018, como um azarão (tradução da expressão "dark horse"), com foco no atentado a faca sofrido pelo então candidato e em sua ascensão até a vitória eleitoral daquele ano. O filme é estrelado por Jim Caviezel no papel de Jair Bolsonaro, e o elenco principal conta com Marcus Ornellas, Sérgio Barreto, Eddy Finlay e Camille Guaty. Durante sua produção, o filme tornou-se alvo de controvérsias quando, em maio de 2026, em meio ao escândalo do Banco Master, foram vazados áudios nos quais membros da produção e o senador Flávio Bolsonaro negociaram repasses de dinheiro com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master e preso pela Polícia Federal (PF) no âmbito da Operação Compliance Zero. O valor total acordado foi de 134 milhões de reais, dos quais Vorcaro transferiu 61 milhões para a produção; segundo a produtora, o filme custou cerca de 75 milhões de reais, tornando-se o maior orçamento da história do cinema brasileiro. O filme foi lançado no dia 15 de junho de 2026, no evento Fraud Fighter Summit. A estreia nos cinemas está prevista para o dia 11 de setembro de 2026 no Brasil, sendo distribuído pela Europa Filmes no Brasil. Em 15 de maio de 2026, uma versão do roteiro do filme foi "vazada" na imprensa, tendo sido validada junto à produção por jornalistas d'O Globo.
Enredo Em 2003, Luiz Inácio Lula da Silva assume a presidência do Brasil, governando até 2010 em um período de grande popularidade. Anos mais tarde, a revelação de extensos escândalos de corrupção resulta em sua condenação por lavagem de dinheiro e corrupção em 2017, levando-o à prisão. Paralelamente, o cenário político vê a ascensão de Jair Bolsonaro, um até então obscuro deputado federal e "azarão" da coalizão de direita apelidada de "Carne, Bíblia e Balas", que ganha projeção com a promessa de quebrar o sistema político vigente. A narrativa resgata o histórico de Bolsonaro, incluindo flashbacks de sua juventude na década de 1980, quando atuava como militar do Exército em operações de combate ao tráfico de drogas, e momentos marcantes de sua trajetória parlamentar, como o ríspido embate de 2003 na Câmara dos Deputados com a parlamentar Gloria De Rosales (Maria do Rosário). Na esfera pessoal, são retratados o seu casamento com Michelle Bolsonaro, a relação de proximidade com a filha caçula Laura, e a convivência com os filhos políticos Flávio, Carlos e Eduardo. Durante a campanha presidencial de 2018, Bolsonaro consolida-se como o provável vencedor das eleições, tornando-se alvo de uma suposta articulação que envolve grupos de esquerda e o crime organizado. O ápice do plano ocorre em Juiz de Fora, Minas Gerais, onde ele sofre um atentado a faca cometido por Aurelio Barba, um extremista que justifica o crime sob uma ótica de militância revolucionária, após ter rompido com outros grupos socialistas e marxistas. Mesmo hospitalizado em estado grave, a sobrevivência e a recuperação de Bolsonaro passam a ser ameaçadas por novas tentativas de assassinato dentro do próprio hospital. Entre as forças que operam nos bastidores contra o candidato, destaca-se a vingança de um influente traficante de drogas a quem Bolsonaro havia ajudado a prender nos tempos de Exército, desencadeando cenas de ação e confrontos na Amazônia envolvendo cartéis de drogas, indígenas e xamãs. O desfecho traz a introdução de Slender Man, uma figura careca e de superioridade moral com o perfil de um ministro da Suprema Corte.
Elenco Jim Caviezel como Jair Bolsonaro, candidato a presidente do Brasil Marcus Ornellas como Flávio Bolsonaro, filho de Jair Bolsonaro Sérgio Barreto como Carlos Bolsonaro, filho de Jair Bolsonaro Eddy Finlay como Eduardo Bolsonaro, filho de Jair Bolsonaro Camille Guaty como Michelle Bolsonaro, esposa de Jair Bolsonaro Mário Frias como Dr. Álvaro Lynn Collins como Lara Clarke Esai Morales como Paulo Pontes (Cicatriz) Felipe Folgosi como tenente Ramos Charles Paraventi como Carvalho Tank Jones como Hugo Betão Vanessa Machado como candidata de debate eleitoral Bianka Fernandes como apresentadora de talk show José Trassi como Aurelio Barba (Adélio Bispo) A Definir como Dolores A Definir como Glória de Rosales A Definir como Zico Rodrigo Candelot com A Definir Márcio Rosário como A Definir
Produção
A cinebiografia sobre Jair Bolsonaro, provisoriamente intitulada Dark Horse (O Azarão, em tradução livre), é dirigida pelo cineasta iraniano-americano Cyrus Nowrasteh e escrita pelo roteirista Mário Frias, deputado federal por São Paulo e ex-secretário de Cultura durante o governo Jair Bolsonaro. A obra é inspirada no texto "Capitão do Povo" escrito por Frias. A produção é conduzida por Eduardo Verástegui, conhecido por ter produzido o filme Som da Liberdade (2023). A Go Up Entertainment, empresa responsável pela produção no Brasil, não possui histórico de produção de longa-metragens, isto é, nunca lançou um filme anteriormente, seja no Brasil ou no exterior. Outras duas empresas registradas no nome da proprietária da empresa, a jornalista Karina Ferreira da Gama, também não possuem histórico de produção cinematográfica, não tendo lançado nenhum filme no cinema, em canais de TV abertos ou por assinatura, segundo a Ancine. Segundo Karina, uma dessas outras empresas, A G07, registrou um projeto na Ancine para a produção de um documentário que seria chamado Atletas de Cristo, mas o projeto não saiu do papel por falta de apoio. Inicialmente, o filme seria chamado de O Capitão do Povo; há um contrato assinado de cessão de direitos de imagens da família Bolsonaro utilizando este nome. Um aditivo do contrato cita o nome que seria utilizado no mercado americano como Captain of the People. Entretanto, ao longo da execução do projeto, a produtora decidiu trocar o nome para Dark Horse. Ainda não há tradução oficial para o português.
Filmagens As filmagens do longa começaram em outubro de 2025, tendo como primeira locação o Hospital Indianópolis, na Zona Sul de São Paulo. O ator Jim Caviezel, conhecido por ter interpretado Jesus em A Paixão de Cristo, passou aproximadamente três meses no Brasil para gravações em diferentes regiões antes de retornar aos Estados Unidos. As filmagens seguiram para o México e serão finalizadas em Hollywood no ano de 2026. Uma das locações ocorreu no Memorial da América Latina, em São Paulo, entre os dias 19 e 22 de novembro de 2025, com pagamento de 125 921,36 reais ao Governo do Estado de São Paulo pelo direito de uso de imagem, o qual foi feito pela Go Up Entertainment. O longa foi filmado integralmente em inglês com o objetivo de alcançar um público internacional ao reconstituir a trajetória política de Bolsonaro, que foi condenado por tentativa de golpe de Estado e segue preso preventivamente. As filmagens ocorreram de forma sigilosa, com a produção mobilizando uma força-tarefa para evitar vazamentos, confiscando celulares e mantendo uma supervisão rigorosa de segurança. De acordo com o jornal O Globo, pelo menos 14 figurantes que participaram das gravações do filme recorreram à Justiça alegando condições de trabalho "humilhantes" e terem sido surpreendidos pelo tema pró-Bolsonaro nas filmagens. As denúncias, que corroboram diversas reclamações registradas pelo Sindicato dos Artistas de São Paulo (Sated-SP), mencionam agressões físicas a um figurante, atraso no pagamento, fornecimento de comida estragada, restrições abusivas ao uso do banheiro — permitido em grupo e sob supervisão — e o confisco ostensivo de celulares. A presidente do Sated-SP, Rita Teles, afirmou que a gravidade da situação levou o sindicato a acionar o Ministério do Trabalho, que não respondeu em tempo hábil.
Divulgação As primeiras imagens do filme começaram a vazar em 6 de dezembro de 2025, apesar da força-tarefa criada para impedir a divulgação antecipada de qualquer material. Nas cenas compartilhadas, o ator Jim Caviezel interpreta o ex-presidente Jair Bolsonaro, usando uma camisa verde e amarela com a frase "meu partido é o Brasil", aparecendo em um palanque e sendo ovacionado por dezenas de pessoas. Ao fundo, parte do público agita bandeiras com o rosto do político. A cena que retrata o esfaqueamento durante um comício mostra Caviezel sendo carregado por apoiadores após o ataque e, em seguida, levado para receber atendimento médico. Em 7 de dezembro, Carlos Bolsonaro publicou na rede social X uma foto ao lado de Jim Caviezel caracterizado como Bolsonaro em um set de filmagens. No dia seguinte, o deputado federal Mário Frias (PL-SP) divulgou um teaser com cenas da trajetória política do ex-presidente, incluindo sua atuação como deputado, o casamento com Michelle Bolsonaro e o atentado de 2018. Frias também aparece interpretando um dos médicos que participaram da cirurgia. Flávio e Carlos Bolsonaro estiveram presentes em algumas gravações, realizadas principalmente em São Paulo. Após o lançamento do teaser, a equipe da cantora norte-americana Beyoncé teria entrado com medidas legais solicitando a remoção da música "Survivor", do grupo Destiny's Child, do qual a artista fez parte no início da carreira. Segundo Anderson Nick, coordenador de projetos da Beygood — organização financeira sem fins lucrativos fundada por Beyoncé e responsável pela operação no Brasil — a faixa foi utilizada sem autorização, e "as providências legais já estão sendo tomadas para que seja retirada do ar o mais rápido possível". Em 19 de maio de 2026, o filme teve o trailer divulgado, ainda com o nome de Dark Horse, sem tradução para português.
Custo de produção Em maio de 2026, a produtora do filme e dona da Go Up Entertainment afirmou que o custo de produção foi de 13 milhões de dólares, o equivalente a 75 milhões de reais. O valor tornaria Dark Horse a produção mais cara da história do cinema brasileiro, sendo muito superior a outras obras recentes com múltiplas indicações ao Oscar, como os premiados O Agente Secreto e Ainda Estou Aqui, que custaram 28 milhões e 45 milhões de reais, respectivamente. A produção passou a ser objeto de questionamentos em razão da pouca experiência atribuída à produtora e do volume de despesas em comparação com valores normalmente observados no setor cinematográfico. Em junho, a produtora do filme encomendou uma perícia privada, que estimou um custo de 13,3 milhões de dólares para ser produzido, sendo 9,7 milhões de dólares gastos nos Estados Unidos e cerca de 4 milhões de dólares no Brasil. Segundo a perícia, todo o dinheiro teria sido recebido de empresas privadas, sendo a Havengate a maior investidora. No entanto, a perícia não esclarece quais fornecedores receberam valores da Go Up, tampouco apresenta documentos fiscais capazes de comprovar a destinação desses recursos em respeito a LGPD. O material apresenta as despesas de forma agrupada, em categorias como "elenco, atores e figurantes" e "equipe técnica e produção executiva", segundo o laudo foram mais de 800 figurantes e cerca de 350 profissionais contratados durante os dois meses de filmagens. Porém, não informa se os valores indicados são compatíveis com os praticados no mercado cinematográfico. A produtora também afirmou que as informações dos custos e demais informações sobre o filme ainda sendo documentadas e serão entregues a polícia federal.
Suspeitas de financiamento ilícito
Banco Master
Em 13 de maio de 2026, o Intercept Brasil divulgou que o filme Dark Horse foi financiado com dinheiro pago pelo banqueiro Daniel Vorcaro – ex-proprietário do Banco Master, liquidado por lavagem de dinheiro – a partir de pedidos de Flávio Bolsonaro. Segundo a matéria, Vorcaro transferiu pelo menos 61 milhões de reais para o financiamento da produção do longa-metragem. Segundo a reportagem, Flávio Bolsonaro, entre dezembro de 2024 e novembro de 2025 – até o dia anterior à prisão do banqueiro pela Polícia Federal – negociou diversas vezes com Daniel Vorcaro para arregimentar recursos para a produção do filme, chegando a marcar um jantar com Flávio, o diretor Cyrus Nowrasteh e o ator Jim Caviezel. Em mensagem datada de 7 de novembro de 2025, Flávio enviou uma mensagem a Vorcaro declarando que "Tudo isso só está sendo possível por causa de vc! [sic]". Segundo dados enviados à CPI do Crime Organizado, a declaração de imposto de renda do Banco Master em 2025 indicou que foram repassados 2,3 milhões de reais para a empresa Entre Investimentos e Participações que financiou, segundo mensagens de Vorcaro, a produção do filme através de repasses a um fundo de investimentos chamado Havengate Development Fund. com sede nos Estados Unidos. O fundo é controlado Paulo Calixto, advogado de Eduardo Bolsonaro, fazendo com que, em última análise, o Fundo Garantidor de Créditos financiasse sua permanência nos Estados Unidos. A Polícia Federal investiga se Eduardo Bolsonaro recebeu o dinheiro. Eduardo, no entanto, negou ter recebido dinheiro do fundo e declarou que seu status migratório não permitiria tal transação. No mesmo dia da divulgação da reportagem, o publicitário Thiago Miranda, que intermediou o primeiro contato entre Flávio Bolsonaro, Mário Frias e Daniel Vorcaro, confirmou à coluna da jornalista Malu Gaspar n'O Globo que o banqueiro transferiu o equivalente a 62 milhões de reais para a produção do filme e que foi o único financiador do projeto até a sua prisão. Flávio Bolsonaro, que horas antes havia negado que Vorcaro tivesse qualquer envolvimento com o filme, confirmou que tinha pedido dinheiro ao banqueiro, mas negou ter recebido qualquer vantagem indevida do proprietário do Banco Master. Mais tarde, a produtora Go Up e o deputado federal e roteirista Mário Frias publicaram notas contradizendo a versão de Flávio Bolsonaro, alegando que não haviam recebido "um único centavo" oriundo de Daniel Vorcaro na produção. Em entrevista à GloboNews no dia seguinte, Flávio Bolsonaro admitiu que o dinheiro foi repassado a fundo administrado pelo advogado de seu irmão, mas negou que o dinheiro tenha sido usado para financiar a sua estadia nos Estados Unidos. Admitiu ainda ter mentido ao negar relações com o ex-dono do Master, alegando que estava vinculado a uma cláusula de confidencialidade relacionada ao financiamento de Dark Horse. Assim, Mário Frias divulgou outra nota, em que tenta justificar "uma diferença de interpretação sobre a origem formal do investimento (...) com a Entre, uma pessoa jurídica distinta". Em 15 de maio, o Intercept Brasil publicou ainda uma outra reportagem demonstrando que o irmão de Flávio Bolsonaro, Eduardo, também havia mentido dias antes quando disse que não tinha nada a ver com a produção do filme. Essa nova matéria revelou que Eduardo assinou um contrato em novembro de 2023 que o colocou no cargo, junto da produtora Go Up e de Mário Frias, de produtor executivo do filme Dark Horse, tendo responsabilidade sobre a captação e gestão dos recursos para a produção do longa-metragem. Em um aditivo de contrato, Eduardo é citado como "financiador" do filme. Além disso, também foi revelado que o publicitário Thiago Miranda intermediou, entre Eduardo e Daniel Vorcaro, uma transferência de dinheiro do Brasil para os Estados Unidos que deveria ser feita "aos poucos". A Polícia Federal brasileira abriu investigação para averiguar se a permanência de Eduardo nos Estados Unidos estaria sendo bancada pelo dinheiro de Vorcaro. Em 19 de maio, o Intercept Brasil revelou que também Mário Frias tinha mantido contato com Daniel Vorcaro, apesar de ter dito anteriormente que a produção do filme não recebeu "um único centavo" do banqueiro. Em mensagem de áudio no aplicativo WhatsApp enviada a Daniel Vorcaro em 11 de dezembro de 2024, o deputado agradeceu o apoio do banqueiro ao filme, aproximadamente uma hora após o horário marcado para uma reunião entre Vorcaro e Flávio. No áudio, Mário Frias disse o seguinte: "Só te agradecer, meu irmão. Vamos mexer com o coração de muita gente. Vai ser muito importante pro nosso país, tá? Preciso de vez em quando te falar como as coisas vão andando, tá?". No mesmo dia, a dona da produtora Go Up Entertainment, Karina Ferreira da Gama, afirmou em entrevista ao Estúdio i da GloboNews que Daniel Vorcaro foi responsável por mais de 90% da verba que viabilizou o filme Dark Horse e que o orçamento já realizado do filme está em cerca de 65,7 milhões de reais (13 milhões de dólares); desse valor, 61 milhões de reais foram pagos por Daniel Vorcaro, de um valor total acordado com Flávio Bolsonaro em 134 milhões de reais, tornando-se o maior montante destinado a uma única produção na história do cinema brasileiro. Segundo Karina, o dinheiro não foi transferido diretamente por Vorcaro ou por suas empresas, mas passou primeiro pelo fundo Havengate. Em 9 de junho de 2026, o Intercept Brasil divulgou nova matéria em que apresenta reproduções de comprovantes de transferências bancárias internacionais (SWIFT) efetuados por ordem de Daniel Vorcaro, bem como uma planilha da contabilidade da Go Up com os aportes acordados e efetivamente recebidos. No dia 1 de setembro de 2026, a revista Piauí divulgou dados inéditos de um relatório da Coaf, que Daniel Vorcaro enviou mais uma parcela no valor de 1,6 milhão de dólares para o fundo que administrava o dinheiro de Dark Horse. A reportagem desmente a afirmação de Flávio, que a última transferência teria ocorrido em maio de 2025. "Liberei mais uma", disse Vorcaro em mensagem de WhatsApp para Thiago Miranda, sem detalhar o valor da parcela que teria sido enviado. O montante enviado por Vorcaro, até então, era de 10,6 milhões de dólares, com as descobertas da investigação, passa para 12,3 milhões de dólares.
Investigação Em 23 de julho de 2026, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça autorizou a abertura de um inquérito para investigar o caso, após pedido da Polícia Federal (PF) e parecer favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR).
Ver também A Colisão dos Destinos
Referências
Ligações externas Site oficial Dark Horse no IMDb Instagram oficial do filme no Brasil Instagram oficial do filme nos Estados Unidos Trailer de Dark Horse no YouTube