O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pediu, nesta terça-feira (22/9), que os países integrantes do Escudo das Américas classifiquem formalmente narcotraficantes como ameaças comuns à estabilidade regional e adotem sanções contra as 24 organizações que Washington considera organizações terroristas estrangeiras.Segundo Trump, os países que integram a iniciativa devem aplicar medidas contra os grupos classificados pelos Estados Unidos.“Hoje, estou pedindo a todas as nações do Escudo das Américas que designem formalmente os narcoterroristas como ameaças comuns à estabilidade e apliquem sanções devastadoras contra todas as 24 organizações terroristas estrangeiras designadas pelos Estados Unidos”, afirmou.O Escudo das Américas é uma iniciativa do governo Trump que conta com apoio de 19 países latino-americanos, como Argentina, Colômbia, Equador e El Salvador. Nações com presidentes de esquerda, como Brasil e México, ficaram de fora.Trump apresentou o combate aos cartéis como uma das principais prioridades da articulação. Segundo o norte-americano, os grupos criminosos representam a principal ameaça à segurança dos países do Hemisfério Ocidental.O republicano afirmou que os cartéis travam uma “guerra” contra as populações da região e defendeu uma atuação conjunta dos governos contra as organizações. Ele também disse que os países participantes terão o apoio dos Estados Unidos nas ações.“Durante anos, os cartéis travaram uma guerra contra os povos deste hemisfério. Agora, nós estamos travando uma guerra contra eles”, declarou.Trump cobra classificação conjuntaAo fazer o pedido, Trump afirmou que os países integrantes da aliança devem adotar formalmente a classificação de narcoterroristas como uma ameaça comum.A medida representaria uma ampliação da política de classificação adotada por Washington, caso os países decidam incorporar as designações americanas a seus próprios mecanismos de combate ao crime organizado.A classificação dos Estados Unidos, porém, não altera automaticamente as leis ou as decisões de outros países. Cada governo precisa decidir, de acordo com sua legislação e seus mecanismos internos, quais medidas serão aplicadas contra organizações consideradas ameaças.Trump também afirmou que, antes de seu governo, os países do Hemisfério Ocidental estavam “por conta própria” no enfrentamento dos grupos criminosos. “Agora não estão mais por conta própria”, disse.Horas antes, Trump falou sobre o combate aos cartéis durante discurso na Assembleia Geral da ONU, em Nova York, em que comparou os grupos ao Estado Islâmico e afirmou que os EUA já autorizaram ações militares contra essas organizações.O discurso ocorreu após a fala do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que defendeu a cooperação internacional contra o crime organizado, mas rejeitou a transferência do controle de fronteiras ou de instalações militares brasileiras a outros países.Brasil de fora Leia também MundoCom drones e mais orçamento, EUA reforça ação militar na América do Sul MundoTrump prepara envio de drones à América do Sul para operações militares BrasilLula diz a Trump que Brasil não precisa de classificação para PCC e CV MundoCriticado por Trump, Lula tem 2 planos contra facções ignorados pelos EUA O Brasil não integra a coalizão. A iniciativa reúne governos latino-americanos que vêm ampliando a cooperação com Washington em áreas como segurança, combate ao narcotráfico e defesa.A ausência brasileira ocorre em meio à deterioração da relação entre o governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e a administração Trump. Os Estados Unidos classificaram o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras, decisão que produz efeitos dentro da jurisdição norte-americana.Trump voltou a criticar o Brasil recentemente e afirmou que o governo brasileiro falhou no enfrentamento às facções. O Metrópoles apurou, porém, que o governo brasileiro apresentou duas propostas de cooperação aos Estados Unidos para o combate ao crime organizado e ainda não recebeu resposta de Washington.








