Ônibus e gasolina: o mapa da infiltração do PCC na sua rotina

Neste vídeo, o Estadão revela como a maior facção criminosa da América Latina infiltrou o transporte público paulistano e na cadeia de combustíveis. Crédito: TV Estadão

Confira o resumo que a LE.IA, a IA do Estadão, fez pra você

Gerando resumo

O ex-vereador Milton Leite se entregou à polícia na tarde desta sexta-feira, 18, após mais de 24 horas foragido. Segundo a Secretaria da Segurança Pública, ele se apresentou na Dise de Mogi das Cruzes por volta das 15h30.

PUBLICIDADE

Mais cedo, a Polícia Civil e o Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP) encontraram uma “passagem secreta” na casa do político em Sorocaba, no interior paulista.

Leite é alvo de um mandado de prisão temporária no âmbito da Operação Vectura Corrupta, deflagrada pela Polícia Civil e pelo MP-SP na quinta-feira, 17, para apurar a infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no sistema de transporte público da capital paulista. Na quinta, ele tinha negado estar foragido e alegou que provaria sua inocência.

Publicidade

Em entrevista coletiva após a ação, o delegado Fabrício Intelizano, da Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes (Dise) de Mogi das Cruzes, relatou sobre a possibilidade de ter ocorrido um vazamento da operação, uma vez que Leite não foi encontrado na quinta.
18/9/2026 O ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo Milton Leite se entregou à Polícia Civil de São Paulo após suspeita de ligações com o PCC em contrato do transporte público na capital paulista. Foto: Reprodução TV Globo Foto: Reprodução TV Globo
“A gente vai apurar isso [o vazamento] no curso da investigação, mas a gente não pode afirmar de maneira categórica. Tanto que a maioria dos alvos foi encontrada. Se tivesse ocorrido de fato qualquer tipo de situação assim, obviamente o resultado da operação teria sido outro. Mas isso a gente vai apurar ao longo da investigação e verificar se houve essa situação, mas até então, a gente não tem essa confirmação”, afirmou.
Dos 16 mandados de prisão temporária autorizados pela Justiça, 11 foram cumpridos até o momento. Outras cinco pessoas, incluindo o presidente do Água Santa, Paulo Sirqueira Korek Farias, ainda estão foragidas.
Publicidade
Na manhã desta sexta-feira, a Polícia Civil e o MP-SP foram até um endereço em Sorocaba à procura de Leite, mas não o encontraram. No local, no entanto, as autoridades identificaram uma “passagem secreta” entre dois imóveis. Um pertence a Leite, e o outro seria de um assessor dele.
Também foram apreendidos cerca de R$ 280 mil e US$ 89 mil (cerca de R$ 458,5 mil na cotação atual) em espécie, que estavam em uma mala. Não há informações sobre a origem dos valores. A ação teve o apoio da Polícia Militar.
Leite foi vereador por sete mandatos consecutivos e presidiu a Câmara Municipal por seis anos. Ele deixou a Câmara ao final de 2024, após 28 anos no Legislativo. Mesmo sem mandato, continuou atuando e tendo influência na política.
Publicidade
Leia também
- Milton Leite não se entrega após 24h e polícia vai até Sorocaba para tentar prender ex-vereador
- Quem é Milton Leite, ex-presidente da Câmara de SP alvo de operação contra infiltração do PCC
- Após elogiar ‘história’ de Milton Leite, prefeito de SP critica ex-vereador que segue foragido
A operação
A ação de quinta-feira é um desdobramento da Operação Dercúrio, deflagrada em agosto de 2024 contra um esquema de lavagem de dinheiro do tráfico de drogas operado pelo PCC. Na época, a investigação revelou uma complexa rede de comunicação usada pela facção para manter contato entre integrantes da “Sintonia Restrita” e da “Sintonia dos Gravatas”, além de projetos para lançar faccionados como candidatos nas eleições municipais.
A Justiça autorizou o mandado de prisão temporária contra Leite sob a justificativa de que ele é “citado nominalmente por diversas vezes como responsável direto pela operação de algumas das empresas controladas pelo PCC”.
“Somado a isso, há declarações de policiais militares, em procedimento que tramita no Tribunal de Justiça Militar, de que ele seria o dono de fato da empresa Transwolff”, disse o desembargador Sergio Ribas em sua decisão.
Publicidade
A Transwolff é uma empresa de ônibus que foi alvo da Operação Fim da Linha, do MP-SP, em 2024. A companhia foi investigada sob suspeita de envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao PCC e teve o contrato com a Prefeitura de São Paulo cancelado. A empresa nega ligação com a facção.
A defesa da Transwolff afirmou que Leite nunca teve participação societária na empresa, nem atuou na gestão ou deu ordens a funcionários. Segundo os advogados, qualquer afirmação nesse sentido é equivocada e não corresponde à realidade.
Vale ler também
Coluna do Estadão
Ex-cunhado de Gilmar contratado por Vorcaro foi processado no Ceará por dívida de R$ 40 mil
Coluna do Estadão
Impasse no STF: Pedido de liberdade de Daniel Vorcaro expõe indefinição e risco de nulidades no caso
Fernando Schüler
Aumento do Bolsa Família: populismo fiscal com efeito eleitoral duvidoso

