A agência reguladora de medicamentos e alimentos dos Estados Unidos (FDA, na sigla em inglês) autorizou o primeiro dispositivo robótico capaz de realizar de forma autônoma praticamente todas as etapas de uma coleta de sangue. Batizado de Aletta, o equipamento foi desenvolvido pela empresa Vitestro e recebeu autorização em 19 de agosto.O robô poderá ser usado em adultos atendidos em ambientes ambulatoriais, como clínicas e centros de coleta. Embora o procedimento seja automatizado, um profissional treinado precisa iniciar a sessão e permanecer disponível durante o funcionamento. Segundo a FDA, uma pessoa poderá supervisionar até três aparelhos simultaneamente. Leia também MundoChina: robô corredor bate recorde mundial de Usain Bolt nos 100 metros Ilca Maria EstevãoRobô costureiro usa IA para manipular tecidos de forma autônoma SaúdeRobô humanoide realiza cirurgia em animal vivo pela primeira vez MundoRobôs vencem humanos em meia maratona de Pequim Robô encontra a veia e faz a coletaApós o paciente posicionar o braço e o procedimento ser iniciado, o Aletta utiliza luz próxima ao infravermelho e ultrassom Doppler para localizar uma veia adequada e diferenciá-la das artérias. Caso não encontre um vaso apropriado, o equipamento não tenta inserir a agulha.Quando identifica uma veia, o robô coloca o garrote, prepara a pele, introduz a agulha, coleta o sangue e troca os tubos necessários. Ao terminar, retira e descarta a agulha e coloca um curativo no local.O profissional responsável precisa confirmar se os tubos foram preenchidos na ordem correta e verificar se há quantidade suficiente de sangue em cada recipiente.Sensores ajudam a evitar acidentesO Aletta possui mecanismos de segurança para interromper a coleta quando identifica alguma situação de risco. Se o paciente movimentar muito o braço, por exemplo, a agulha se desprende automaticamente e o procedimento é interrompido.Outros sensores podem pausar o processo e alertar o profissional responsável. Entre um paciente e outro, o equipamento também precisa ser higienizado por uma pessoa treinada.A autorização considerou dados clínicos apresentados à FDA. Segundo a agência, nos casos em que o Aletta identificou condições adequadas para realizar a punção, as taxas de sucesso na coleta foram comparáveis ou superiores às alcançadas por profissionais treinados.A avaliação incluiu pacientes com diferentes condições de saúde e tons de pele, além de pessoas que relataram dificuldade para encontrar uma veia durante coletas anteriores. De acordo com a FDA, os eventos adversos relacionados ao equipamento foram incomuns e leves.Tecnologia cria nova categoria de dispositivoO Aletta recebeu autorização pelo processo De Novo, utilizado pela FDA para dispositivos inéditos considerados de risco baixo a moderado. A solicitação da Vitestro havia sido recebida pela agência em 26 de setembro de 2025, e a decisão favorável foi concedida em 19 de agosto de 2026.Com a autorização, a FDA estabeleceu uma nova categoria regulatória para sistemas robóticos destinados à coleta de sangue venoso periférico, além de definir exigências relacionadas à segurança, ao desempenho e aos estudos clínicos.A tecnologia automatiza etapas que tradicionalmente dependem da atuação direta de profissionais, mas não elimina a necessidade de supervisão humana durante a coleta.








