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Filme foi escolhido o representante do país por comissão da Academia Brasileira de Cinema nesta quarta-feira (16)

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Yuri Gomes em cena de 'Feito pipa', de Allan Deberton — Foto: Divulgação / Jamille Queiroz

Os dois últimos anos foram de grande impacto do cinema brasileiro no cenário internacional. Com as trajetórias memoráveis de "Ainda estou aqui", de Walter Salles, e "O agente secreto", de Kleber Mendonça Filho, os cinéfilos se acostumaram com a presença de estrelas nacionais como Fernanda Torres, Selton Mello, Wagner Moura, Maria Fernanda Cândido e cia nos principais tapetes vermelhos mundo afora. As obras reverberam nas redes sociais, despertaram o orgulho do audiovisual brasileiro e logo lançaram a questão: qual será o próximo?

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Pois bem, esta resposta tivemos nesta quarta-feira (16), com a escolha por comissão da Academia Brasileira de Cinema de "Feito pipa", de Allan Deberton, para representar o Brasil no Oscar. Estrelado por Lázaro Ramos, Teca Pereira e pelo jovem Yuri Gomes, o longa agora buscará uma indicação a melhor filme internacional.
Mas quais as chances concretas de indicação para o longa? No momento, poucas. Ao contrário de "Ainda estou aqui", que conquistou o prêmio de melhor roteiro no Festival de Veneza de 2024, e "O agente secreto", que levou os troféus de melhor ator e melhor direção no Festival de Cannes do ano passado, nenhum filme brasileiro foi selecionado para as mostras competitivas dos três principais eventos cinematográficos do mundo em 2026.
"Feito pipa" até teve passagem com certo destaque pelo Festival de Berlim, mas fora da mostra competitiva principal. O filme deixou o evento alemão com o Urso de Cristal de Melhor Filme, concedido pelo Júri Jovem, e Grande Prêmio do Júri Internacional da mostra Generation Kplus. Na sequência, teve exibições em festivais como o de Cartagena das Índias, na Colômbia, e Guadalajara, no México.
Lázaro Ramos, Yuri Gomes, Teca Pereira e Allan Deberton lançam "Feito pipa" no Festival de Berlim — Foto: Kathleen Kunath / Divulgação
A trajetória de "Feito pipa", filme com maior número de Kikitos na última edição do Festival de Gramado — incluindo melhor filme pelo júri popular e melhor direção —, e a forma como tem atingido as pessoas, ratifica a qualidade da obra, que acompanha Gugu (Yuri Gomes), um menino apaixonado por futebol que vive ao lado da avó Dilma (Teca Pereira). Quando a avó começa a apresentar problemas de saúde, o jovem tenta esconder a nova realidade para que não precise morar com o pai (Lázaro Ramos), um homem duro e conservador, incapaz de expressar seus sentimentos. O problema é que a qualidade nem sempre é o bastante para garantir a presença de um filme no Oscar.
Neste momento, o diretor Allan Deberton está participando de encontros de mercado no Festival de Toronto, buscando um distribuidor para o filme no mercado norte-americano. E este próximo passo será o fundamental para entender as chances da obra. Sem lançamento nos EUA ou verba para campanha, será muito difícil para a produção chegar com força significativa na temporada de premiações. É importante lembrar que "Ainda estou aqui" e "O agente secreto" chegaram aonde chegaram também pelo fato de terem ao lado as estruturas da Sony Pictures e da Neon, respectivamente.
Recentemente, foi anunciado que o longa tem acordos de distribuição na Dinamarca, na Bélgica, na Indonésia, na Holanda, na Espanha, na Argentina e na Colômbia, o que é importante para reforçar a presença internacional da obra, mas o impacto definitivo ainda depende da presença nos EUA e de outros países como França e Inglaterra, que contam com número significativo de votantes na premiação.
Outro desafio de "Feito pipa" será superar adversários que contam, até o momento, com grande espaço de divulgação na mídia internacional, como os principais filmes do último Festival de Cannes. Escolhido o representante da Romênia na corrida pelo Oscar, "Fjord", de Cristian Mungiu, vencedor da Palma de Ouro, traz a força na Neon. O polonês "A terra do meu pai", que rendeu a Paweł Pawlikowski o prêmio de direção em Cannes, conta com o apoio da Mubi. O espanhol "A bola preta", de Javier Calva e Javier Ambrossi, aponta como a grande aposta da Netflix para a temporada.
"Minotauro" (França), de Andrey Zvyagintsev, "All of a sudden" (Japão), de Hamaguchi Ryusuke, "Everytime" (Alemanha), de Sandra Wollner, e "Possible love" (Coreia do Sul), de Lee Chang-dong, são outras obras que já possuem grande reconhecimento internacional e têm chances concretas de avançarem na temporada de premiações.
Lázaro Ramos e Yuri Gomes em cena de "Feito pipa", de Allan Deberton — Foto: Divulgação
Um trunfo de "Feito pipa" é a já comprovada boa vontade da indústria americana com o Brasil, e especialmente o engajamento brasileiro nos últimos anos. Assim, se superada a questão da distribuição internacional, é possível que o filme ganhe alguma tração. Outra aposta é que possa crescer no burburinho em caso de uma indicação ao Globo de Ouro no dia 7 de dezembro — a premiação que vem sendo muito receptiva a produções nacionais —, e uma eventual presença na pré-lista de indicados ao Oscar na categoria, que será divulgada no dia 15 do mesmo mês.
É importante lembrar que um segundo longa brasileiro ainda tem chances de participar da corrida de melhor filme internacional: "Vicentina pede desculpas". Dirigida por Gabriel Martins e com distribuição internacional da Netflix, a obra está em competição na mostra Plataforma do Festival de Toronto. Segundo as novas regras para a disputa de filme internacional do Oscar, os vencedores desta premiação — assim como os de Cannes, Veneza, Berlim e Sundance — ficam automaticamente habilitados. O Festival de Toronto anuncia o vencedor da mostra Plataforma neste domingo (20).
"Feito pipa" e "Vicentina pede desculpas" chegam aos cinemas brasileiros no dia 5 de novembro. O Oscar 2027 acontece em 14 de março.
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